quarta-feira, 13 de agosto de 2014

REFLEXÃO DE PODER


REFLEXÃO DE PODER




Acho que eu tinha uns nove anos quando pedi à empregada que me trouxesse um copo d’agua. Minha mãe protestou, com severidade: “Não senhor, quem você pensa que é?! Ela é minha empregada, não sua empregada! Você mesmo pode apanhar seu copo d’agua!” Minha mãe sabia a empregada ficaria sobrecarregada se tivesse que atender a cada um dos muitos filhos e insistia em que cada um fizesse a sua parte. Sabia também, ou tinha uma intuição, da questão hierárquica: a ideia de que os filhos poderiam ter uma pessoa à disposição não mostrava uma boa perspectiva em relação à formação do caráter e, a seu ver, tinha raízes no período escravagista. “O quarto da empregada é um resquício da senzala dentro das nossas casas”, ela dizia, concluindo que, se não tivéssemos cuidado, perpetuaríamos a escravidão.
Com efeito, a presença da empregada doméstica como alguém á disposição dos filhos tem importante impacto em nossa formação, produzindo essa nefasta ilusão de disponibilidade a ilusão de que, estando na posição de mando, podemos dispor das pessoas, sem maiores cuidados.
Nossa cultura tem muitos “resquícios” remanescentes da escravidão, não apenas em casa, mas também no trabalho, na escola, até na igreja! Quase vejo o chicote na mão de muitos pais, gerentes, professores e até pastores. O pai que grita com os filhos, o professor que expulsa violentamente o adolescente da sala de aula, o gerente que exige quantidade de trabalho e ameaça com punição e o padre que ameaça os fiéis com o fogo do inferno são exemplos frequentes dessa posição antipática e ineficaz.
Na empresa, ainda é comum o gerente que acredita que pode controlar seus funcionários a força, usando como motivação ameaças de demissão ou corte salarial. Como o feitor que ameaça seus escravos de leva-los para o tronco, caso não obedeçam. Essa postura gerencial desagrega e desumaniza o grupo e gera os mais variados sintomas na organização.
Em todo o mundo se verifica a tendência de que o gerente seja uma referência verdadeira para os membros do grupo sob sua coordenação. É uma referência pessoal que influencia, mas não manipula. Como referência do grupo, faz um papel organizador e facilita o relacionamento, não apenas dele com o grupo, mas também entre todos os membros do grupo. Para facilitar a produtividade do grupo, acolhe igualmente a todas as pessoas. Todos querem pertencer este grupo!
Mauricio de Souza Lima

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